10.11.09

Não gostei

Li-lhe uma história da colecção Rua Sésamo. Na história, o pequeno Gualter acordou a chorar com todas as suas forças depois de ter tido um “terrível pesadelo”. Tinha sonhado que o seu amigo Poupas Amarelo, o pássaro, havia perdido todas as suas penas.

Comentário do meu filho, com aquele ar de absoluta incompreensão perante tamanha aflição do personagem:

- Mas o sonho não foi com ele mamã, o que é que importa?!

Cuidado com a gripe

O meu filho já compreendeu o processo de contágio da gripe A, são muitas as informações e regras por parte da escola a fim de prevenir a doença. Sendo um bocado medroso em questões de saúde, passou a cumprir rigorosamente as medidas básicas de higiene pessoal e social. De um dia para o outro mudou a sua atitude. Se antes tossia e espirrava para o ar, apesar das constantes advertências e reprimendas no sentido de cobrir a boca com a mão, agora fá-lo tapando o nariz e a boca com o braço. Se antes lavava as mãos à pressa, após uma dezena de lembretes, agora basta um e completa todos os movimentos do folheto. Mas o mais interessante é que cumpre estas regras com a naturalidade de quem já o faz há anos. É incrível como há regras que ele aprende tão depressa. E bem.

7.11.09

Falta de ética desportiva...

...ou mau perder.
As actividades competitivas possuem uma estrutura demasiado complexa para serem compreendidas pelo meu filho. Não tolera não ser o primeiro, para ele apenas importa vencer e isso faz com que se desorganize quando se vê na pele do vencido.
Se na Escola a área curricular corre às mil maravilhas, o dia da Educação Física é para ele um dia crítico. A frustração associada ao simples facto de perder uma corrida provoca-lhe o descontrolo, desencadeia nele um choro raivoso e a manifestação de comportamentos agressivos - físicos e verbais. Calmamente em casa, tenho explicado que o importante não é ganhar, que no jogo e na vida há mais vencidos que vencedores, que vale mais ser um bom perdedor do que um mau vencedor, etc. Na hora parece compreender mas, à mínima desilusão, esquece toda a teoria e transforma-se naquele monstrinho indomável e exasperante. As pessoas sentem-se impotentes, pouco há a fazer. E ele também sofre por não conseguir controlar as emoções, os colegas riem-se, isso enfurece-o ainda mais. Custa-me que seja alvo de risota. Que mais posso fazer para ajudá-lo a aceitar a derrota com naturalidade?

29.10.09

Insinuações

Escolheu um DVD e pôs no leitor. Um filme do Winnie the Pooh (o ursinho pateta), que já deve ter visto uma dúzia de vezes, no mínimo. Senta-se de comando na mão e põe o filme a correr. Não tarda e começa a rir-se com a história. Olha para mim como que a querer partilhar a piada. Não ligo. Mais uns segundinhos e solta uma gargalhada forçada. Espreita para ver como reajo. Estou desatenta. E continua, nova gargalhada, olha para mim. Eu, nada. Levanta-se, vem puxar-me pelo braço:
- Anda ver mamã, é engraçado!
- Ver o quê? A mamã está ocupada.
- O filme do Winnie...
- Ah, vou acabar isto. Daqui a pouco eu vou.
(tom lamurioso)
- Vá lá mamã, sem ti eu não me riu...

25.10.09

A primeira noite sem a mãe

Tenho de registar. Na passada sexta-feira, o meu filho dormiu na casa dos tios. Confesso que sempre estive um pouco apreensiva no que toca a deixá-lo passar uma noite longe de mim, mas alguma vez havia de ser. Aproveitei que tinha um jantar de colegas para, por fim, aceitar o constante convite da minha cunhada:

- Hoje vais dormir na casa do N, a mamã vai a um jantar só de adultos.

- YEAH! Sim, sim, sim! (saltinhos)

- (...)

- Porta-te bem! Amanhã, de manhã, eu vou buscar-te.

- Mas é só um dia, mamã?! Tinha de ser dois!

- (...)

A euforia foi tal que resolvi tentar, o pior que podia acontecer seria ter de ir buscá-lo depois do jantar. Mas não foi necessário. Correu tudo bem e antes das 23:00 horas já dormiam, ele e o primo de quase 6 anos – informaram-me por SMS para ficar descansada. Imagino que o cabo dos trabalhos foi pô-los a dormir no mesmo quarto, tal deve ter sido a galhofa. ;)!

Achou delicioso o pão com Nutella, mas isso agora não interessa nada (lol). No Sábado, fui buscá-lo ao Estádio do Nacional, assistiam ao treino do meu sobrinho. Quando me viu, ficou logo todo segredinhos com a tia. Olhava para mim de esgueira enquanto lhe pedia, ao ouvido, o Bolicao que ela trazia na mala, não fosse ficar o assunto esquecido. :)!

Obrigada A, pelo jeitinho. Quando quiserem, já sabem, contem comigo que estas separações afinal são saudáveis e boas, para todos.

19.10.09

Saudade fraterna

Sábado passado recebi um telefonema da mãe do melhor amigo do meu filho no Colégio - G. Dizia-me, com uma voz melosa, que o seu menino anda com saudades do amigo e que, inclusivamente, já tinha feito chantagem com a mãe, do género, ou falo com o M ou não falo com ninguém. Então a senhora lá cedeu e ligou-me para os dois poderem conversar. Contou-me que o seu filho costuma dizer que tem mais um “irmão”: M. Que lhe pede encarecidamente para frequentar a escola onde a mãe trabalha, que é - ironia do destino - a escola onde actualmente está M. Que um dia, nas férias, o tinha levado à escola e que o pequeno se fartou de pedir ao director da escola no sentido de convencer a mãe a transferi-lo. Que o menino lhe diz com frequencia que "irmãos" não se separam. E outras coisas, que agora não me lembro, mas que só atestam a bonita amizade que o miúdo sente pelo meu filho.
Infelizmente, M não estava em casa, estava com o pai. Àquela hora estaria possivelmente no cinema, pois tinham combinado ir ver o Força G. E mesmo que o meu filho estivesse em casa, ainda havia o problema de ele não conseguir estabelecer um diálogo telefónico natural. Ouvir quem está do outro lado da linha é mentira, o telefone só lhe serve para dizer o que tem a dizer e desligar de imediato. Isso poderia entristecer G. Ficou então a promessa de nos encontramos num próximo fim-de-semana para um pequeno café, num sítio a combinar.
Quando M chegou a casa, contei-lhe sobre o telefonema e sobre a possibilidade de nos encontrarmos e de poderem brincar um bocadinho. Comentário:
- Um bocadinho não, mamã!
- Então?!
- Muuuuuuuuuuito!

14.10.09

Relatório da avaliação psicológica (Mindstation)

(...)

Observações clínicas

O M veio acompanhado pela mãe à consultas de Psicologia, com o objectivo de receber algum feedback (...).
A criança apresentou-se com um aspecto cuidado e manifestou alguma dificuldade em manter o contacto ocular com o examinador, contudo foi possível estabelecer uma relação empática com a criança.
No decorrer da avaliação (...) evidenciou muita dificuldade em estar sentado, em focalizar e manter a atenção na tarefa pretendida e em cumprir as ordens solicitadas pelo adulto, mesmo após advertência. Apresentou uma exacerbada actividade motora aliada à impulsividade e interrompeu e sobrepôs, frequentemente, a sua voz ao discurso do adulto, na tentativa de dominar e conduzir as tarefas para as suas áreas de interesse.
Ademais, (...) apresenta uma baixa tolerância à frustração, rejeitando, por vezes, as actividades que percepciona como de “difícil concretização”, com receio de falhar ou não ser bem sucedido. (...)
A sua área mais forte prende-se com a aritmética, nomeadamente a representação mental de símbolos numéricos e pensamento associativo. Assim sendo, o M apresenta boas capacidades em manipular conceitos numéricos em situações que requerem a compreensão e utilização de números e das operações aritméticas elementares. A criança apresenta razoáveis capacidades de abstracção e raciocínio lógico (pensamento categorial, generalização e abstracção de conceitos).
Ademais, compreende situações sociais em abstracto e quando contrastado com as mesmas revela facilidades em decidir sobre como proceder.
O M apresentou razoáveis resultados ao nível das capacidades de visualização espacial e coordenação visuo-motora.
Também manifestou razoáveis capacidades de memória visual, memória auditiva e, por sua vez, memória de curto prazo.
Foi notório (...) pouca motivação face a tarefas de carácter repetitivo.
(...)
O M foi também avaliado na área perceptiva, com base nas matrizes progressivas coloridas de Raven, onde obteve um resultado de 27 pontos, valor que se situa no percentil 95. Este resultado traduz boas capacidades perceptivas visuais de raciocínio lógico não verbal.
(...)


Síntese

Da avaliação realizada em termos cognitivos, salientam-se boas capacidades, indicadoras de um bom potencial intelectual. De ressaltar que os resultados obtidos neste âmbito, apontam para um funcionamento intelectual médio tendo em conta a sua faixa etária (Q.I = 100).

Dos dados obtidos através da observação clínica, em conjunto com as informações fornecidas pela mãe e professora titular de turma, constata-se que o M apresenta comportamentos frequentes de desafio/oposição, impulsividade e hiperactividade, aliado aos problemas sociais. Ademais, tem dificuldades em terminar uma tarefa até ao fim, em obedecer às regras do adulto e encontra-se desmotivado para tarefas que exigem esforço mental mantido e que por sua vez, considera como “de difícil realização”. Também, com frequência, chama à atenção dos outros, fala alto, sobrepõe a sua voz à do adulto e culpabiliza os outros pelos seus erros.

Importa salientar que estes comportamentos e sintomas surgiram antes dos 7 anos de idade, encontram-se em mais do que um contexto (escolar, familiar e comunitário) e causam um défice significativo de funcionamento social da criança.

Pelo exposto, e tendo em conta os seus comportamentos, verifica-se que o M preenche os critérios de diagnóstico para uma perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção. Além disso, considera-se que esta perturbação é Tipo Predominantemente Hiperactivo-Impulsivo, na medida em que o Critério Hiperactividade-Impiulsividade está preenchido mas não o Critério Falta de Atenção, durante os últimos 6 meses.

Também, segundo o que foi descrito anteriormente, o M apresenta um comportamento agressivo, hostil e desafiante, que dura pelo menos há 6 meses. Por outras palavras, a criança com frequência 1) irrita-se, 2) discute com os adultos, 3) desafia ou recusa cumprir os pedidos ou regras do adulto, 4) culpa os outros dos seus erros ou mau comportamento, 5) aborrece deliberadamente as outras pessoas e 6) é rancoroso ou vingativo. Por se verificar que estes comportamentos ocorrem com mais frequência do que é tipicamente observado nas crianças de idade e nível desenvolvimental comparáveis, considera-se que o M preenche também os critérios de um outro diagnóstico, nomeadamente Perturbação de Oposição.

Assim sendo, considera-se que o problema do M se enquadra na esfera das Perturbações Disruptivas do Comportamento e de Défice de Atenção, na sua forma mais complexa, Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção, Tipo Predominantemente Hiperactivo-Impulsivo e, em simultâneo, uma perturbação de Oposição (DSM-IV, 2002). (...)


É estranho que mesmo tendo sido analisado todo o historial médico, familiar e pessoal do M, se tenha concluído que este é o quadro clínico (!). Estou espantada. Até admito que o meu filho por vezes manifeste alguma hiperactividade-impulsividade, mas essa hiperactividade-impulsividade está antes associada a uma outra patologia que nem sequer foi aqui referida.

Caramba! Este rapaz engana mesmo...


13.10.09

Ele quer o Magalhães...

... mas a distribuição está suspensa e eu não acho que mereça os 300€ que pedem na FNAC.
Não o adquiri no ano lectivo anterior pois herdou o meu velho laptop, onde foi instalado algum software didáctico. O pior é que agora a turma tem formação com o "brinquedo" às segundas-feiras. Por esta é que eu não esperava.

9.10.09

O que me diz a professora

- Eu noto que o M tem mais necessidade de falar do que as outras crianças, é mais forte do que ele.

- Tem muito vocabulário e fala fluentemente (não concordo com o “fluentemente”, mas gostei de ouvir).

- Nos primeiros dias fazia aquelas questões caídas do nada, mas já está melhor nesse aspecto. Eu expliquei (...), fizemos um acordo selado com um aperto de mão.

- Às vezes ri-se despropositadamente com alguma coisa que eu diga, mas compreende quando explico que o assunto não é para rir.

- Ele gosta bastante de matemática e é muito perspicaz.

- Não, ele nunca se levantou na aula! O M não é aquela criança a quem é preciso dizer para ficar quieto (!!!).

- É verdade que às vezes se distrai, mas basta chamá-lo ao trabalho que ele retoma logo o que estava a fazer (!!).

- Por vezes - nem sempre - tenho de lhe dizer as coisas particularmente depois de as ter dito à turma.

- Gosta do recreio e brinca naturalmente com as outras crianças, é sociável.

- À refeição é um santo. Come tudo calmamente e em silêncio.

- Não, o M não tem necessidade de apoio especial.

- Nem há necessidade de se fazer qualquer abordagem sobre a diferença do M. A turma recebeu-o bem. Eu também não lhes dei outra opção, apresentei-o logo como sendo uma mais-valia para a turma.

- Vá em paz, ele fica bem. Um dia feliz.

A nova família...

- Sabes mamã, nós na escola também somos uma família, somos a família escolar.
(adorei, por isso registo)